Distribuição de renda e o paradoxo das loterias no Brasil

Um dos princípios do Desenvolvimento Sustentável é a distribuição de renda de uma maneira uniforme, afinal de contas se uma existência pode desfrutar de uma qualidade de vida mínima, ela passa a ter espaço em sua consciência para se preocupar com qualidade das águas, do ar, transportes e outros fatores importantíssimos para assegurar um planeta minimamente adequado às vida das gerações futuras.

Dessa maneira, acredito que a distribuição de renda deveria um dos princípios norteadores Práticos de nossas instituições governamentais, notadamente dos Poderes Executivos (Presidentes, Governadores e Prefeitos) e Legislativo (Vereadores, Deputados Estaduais, Deputados Federais e Senadores). Aliás, o inciso III do artigo Terceiro de nossa Constituição Federal reza que “constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil… erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais.”

A loteria como um fator concentrador de renda

No entanto, entra ano e sai ano, vejo a ferramenta das loterias sendo usada justamente ao contrário: como concentrador de renda junto aos maiores donos de capital do país.

Vejamos um exemplo atual, em uma manchete do site G1 em 17/02/2020:

“Mega-Sena, concurso 2.234: ninguém acerta e prêmio acumula em R$ 170 milhões”

Em um plano hipótetico, as chances de se acertar as seis dezenas da megasena são, apostando apenas um cartela simples é de 1 em 50.063.860, isto corresponde a 1/50.063.860 = 0,00000002 que corresponde a 0,000002%.

É muita sorte acertar, não é mesmo?

Eu, particularmente, se acertasse a Megasena de 170 milhões sozinho, iria fazer a seguinte divisão do prêmio:

-metade para minha companheira, sobrariam 85 milhões. Depois, uns 5 milhões para familiares próximos, uns cinco milhões para amigos próximos e uns 10 milhões em imóveis no Brasil e na Europa. Restariam 65 milhões. Como eu seria rico, com mais 10 milhões eu decoraria fartamente os imóveis e colocaria um bom automóvel em cada garagem. Restariam ainda 55 milhões de reais.

Sou um péssimo investidor, então colocaria o restante do dinheiro na poupança, a qual me renderia cerca de 200 mil reais ao mês de juros, salvo engano.

Acredito que a maioria das pessoas faria algo semelhante: ajudar a quem se tem mais proximidade, dar-se de presente um pouco de luxo e viver de renda, muita renda.

Interessante notar que, nesta situação hipotética, o dinheiro que estava nas mãos de milhões de pessoas, notadamente de classes populares, foi concentrado – ao final – junto ao governo (cerca de 51%), ao ganhador e aos grandes bancos.

Sim, aos grandes bancos, afinal a maioria das pessoas vai deixar o grande volume do dinheiro investido em uma banco, com uma rentabilidade “baixa”, porém “segura”.

E, com isso, os grande bancos, ótimos investidores profissionais, vão utilizar aquele saldo em conta (arrecadado, lembro, da população) para aumentar seus lucros sempre recordes, ou seja, as loterias são, na verdade, um grande concentrador de riquezas para os percentuais já mais ricos da população.

A loteria como fator de distribuição de renda

Diferentemente, pode-se-ia utilizar o “prêmio da megasena acumulada” como um excelente fator de distribuição de renda.

Imaginemos que a megasena passe a ser a “duesena” e que os ganhadores passem a ser aqueles que acertaram apenas dois números (ou mais, o que importaria seria o mínino de dois acertos).

A probabilidade de acertos para  6 dezenas dentro dos 60 números é de 0,000002%, conforma já fora dito. Para acertar 2 duas dezenas, no entanto, essa taxa cai para 0,06%. No concurso em exemplo, 2234, 13.800 apostas acertaram 4 números, sendo que a probabilidade de acerto de 4 números é de um em 2332, ou 0,043%, acredito que cerca de 20.000 pessoas acertaram duas dezenas no mesmo concurso.

Somente o valor destinado às seis dezenas, para o próximo concursos estimado em R$ 170 milhões, dividido por essas 20.000 pessoas, daria um valor de R$ 8.500,00 para cada pessoa. Se somados os destinados à “quadra” e à “quina”, ele valor subiria bastante.

Porém, ao recebermos R$ 8.500,00 não temos condições de comprar imóveis, fazer super doações ou algo parecido. Neste caso, usaríamos o dinheiro para arrumar o carro, trocar aquele sofá velho, comprar um novo microondas. Alguns abririam uma marcearia pequena no bairro, outros comprariam um carrinho para vender “cachorros-quentes”. Rebocar aquele muro, consertar a calçada.

Não haveria, como pode se ver, dinheiro para investir em aplicaçãoes. Não haveria a possibilidade de “viver de renda”.

No entanto, 20.000 pessoas  teriam recebido esse dinheiro: a economia local iria ser impulsionada, haveria geração de empregos e serviços, a economia seria catapultada para frente.

Semanalmente.

Por isso o paradoxo: se um país apresenta tanta desigualdade em sua distribuição de renda, porque não se utilizar de uma ferramenta fantástica como as loterias para alavancar tal distribuição?

Por que nenhum governo, de Direita, de Esquerda ou de Centro, jamais aventou tal possibilidade? Fica a pergunta, Senhore e Senhoras

Tom Prates

Devo meu caráter e espírito de União a meus pais, José e Neci, os quais me foram dados por Deus como um presente. Minha educação formal começa em Escolas Estaduais de Guarulhos, São Paulo e se aprimora através do Instituto Dom Bosco (sétima e oitava séries, de antigamente); Espcex (Ensimo Médio Militar), Instituto Mackenzie (graduação em Direito, mas por apenas três anos); USP (graduação completa em Publicidade e Propaganda); Unesa (graduação completa em Contabilidade); ESUDA (MBA em Planejamento Tributário), Estácio (MBA em Desenvolvimento Sustentável) e, atualmente, Unifg (em um retorno ao Curso de Direito, a fim de fechar um ciclo de conhecimentos). Fui servidor público concursado por 15 anos e ocupei cargos de Chefia e Diretoria. Sai do serviço público por opção e criei pequenas empresas a partir do zero, com sucessos e insucessos. Minha formação e experiências profissionais variadas me proporcionaram uma visão holística dos processos das organizações público e privadas. Sou capaz de transitar em qualquer ambiente organizacional com segurança e gerir situações de crise com altas taxas de sucesso. Em qualquer trabalho por mim desenvolvido, coloco em primeiro lugar as pessoas, pois creio que pessoas satisfeitas com seu local de trabalho têm uma vida mais completa, sendo altamente produtivas, criativas e responsáveis. Quando obtém a sensação de "pertencimento" real a uma organização cuja finalidade seja maior que apenas a obtenção de lucro, mas a criação de um mundo melhor para todos nós, vemos os reflexcos postivos de tais políticas dentro e fora das organizações. São valores que transbordam para as famílias e para as comunidades. Eu quero salvar o mundo, ou pelo menos torná-lo um lugar melhor.