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Política e Opinião

No Brasil, o Desenvolvimento sustentável é inviabilizado de maneira proposital pelas políticas públicas.

Segundo a WWF[1], desenvolvimento sustentável ” é o desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações. É o desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro.”

Mas será que, para início de conversa,  suprimos enquanto espécie ao menos as necessidades da geração atual?

Parece que não, pois segundo a Organização das Nações Unidas[2], 821 milhões de pessoas passaram fome no ano de 2018.  Transferindo nosso olhar para o Brasil, a situação não é muito diferente: segundo a ONU, 5 milhões de pessoas passaram fome em nosso país[3] no ano de 2018.

Portanto, a definição tradicional sobre o que é sustentabilidade empaca no primeiro olhar. Como pensar em um protocolo para gerações futuras se temos em nossas mãos uma geração atual literalmente morrendo de fome? (E sabemos que “sustentabilidade” não se aplica apenas às necessidades alimentares, é claro…)

E o que explica uma, globalmente, uma civilização ativa há centenas de anos atingir níveis incríveis de desenvolvimento tecnológico (como por exemplo enviar sondas para além de nosso sistema solar) mas não conseguir propiciar condições mínimas de qualidade de vida para si mesma? Localmente, possuirmos abismos de renda diferenciando Regiões, Estados e Municípios ignorando direcionamentos legais fundamentais como a própria Constituição do Brasil?

Falemos, por hora, do Brasil.

No Brasil, desde sempre, as políticas públicas brasileiras parecem estar travadas em ciclos de ineficiência programada e projetadas para manutenção do establishment.

Na colônia e no Império, os ciclos econômicos se aproveitaram de hordas de mão de obra barata e da exaustão das riquezas natuarais sem a mínima preocupação com futuro do país ou dos indivíduos. Depois, com o advento da República, nada mudou.

No século XVI, a invasão do território Brasileiro premiou a extração de pau-brasil através do escambo com os moradores locais. Em seguida, após 1530 temos a implantação das Capitanias Hereditárias, dividindo a colônia para a exploração preferencial da Cana de Açúcar com toda sua produção exportada para a Europa. Mineração no século XVII,café no século XIX: a história de não-planejamento sempre se repetia: visava-se o momento e a manutenção da riqueza daqueles que se alteravam no poder.

O século XX trouxe uma série de novidades ao cenário humano como a a ampliação da industrialização, as primeiras previdências sociais criadas pelo Estado, o pensamento Marxista, a luta de classes, a primeira grande guerra, entre outros marcos de nossa civilização. Os eventos deflagrados tiveram ampla repercussão no Brasil, onde diversos elementos mesclados desaguam na revolução de 30. A partir dali a população Brasileira passa a ser tutelada pelo Estado, “não precisando” mais lutar por seu espaço. Passa-se a doutrinação do “povo pacífico e ordeiro”, massa de manobra organizada que se auto replica durante o passar dos anos.

Não está a se falar aqui da eficiência – ou não – das políticas públicas de tal período. É consabido que Getúlio tirou o Brasil do mundo agrário e o colocou no caminho da industrialização. É fato a evolução da administração pública patrimonialista para a administração pública burocrática.

Porém, ao se doutrinar uma nação para o caminho do não questionamento foi aberta uma porta para a criação de povo sem espírito de pertencimento, sem ânimos de questionamento, sem disposição para a defesa de seus direitos mínimos de existência.

Ao se criar uma população que ignora cultura – em suas instância básicas, não aprendendo a ler, interpretar e pensar – e a mantendo ocupada em obter o sustento mínimo (sem sucesso efetivo, pois sempre houve fome no Brasil), nossas políticas públicas mantiveram uma imensa massa de manobra política para usar e abusar, quer seja por políticas assistencialistas, quer seja por suborno explícito na época de eleições ou por meio de manipulações psicológicas.

Essas massas não geram , pois, um ambiente de sustentabilidade para si mesmas pois não sabem o que podem ter de benefícios e melhoria em sua qualidade de vida (não conhecem nada diferente daquilo); não entendem que estão sobrevivendo em condições péssimas (pois foram treinadas para sobreviver mal); não são unidas (pois as “políticas públicas” não têm interesse em populações que se ajudem) e não se acreditam capazes de mudar sua realidade (o resultado esperado, passividade e acomodação).

Dessa maneira, verificamos desde já que, localmente (Brasil), o desenvolvimento sustentável é inviabilizado de maneira proposital pelas políticas públicas já em sua primeira etapa, no suprimento das necessidades da geração atual.


[1] Disponível em https://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/questoes_ambientais/desenvolvimento_sustentavel/

[2] Disponível em http://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2019-07/mais-de-821-milhoes-de-pessoas-no-mundo-passaram-fome-em-2018

[3] Disponível em https://envolverde.cartacapital.com.br/invisiveis-e-ignorados-52-milhoes-de-pessoas-passam-fome-no-brasil/ e https://www1.folha.uol.com.br/poder/2019/07/apesar-de-menor-fome-ainda-afeta-o-brasil-aponta-orgao-da-onu.shtml

Por Tom Prates

Devo meu caráter e espírito de União a meus pais, José e Neci, os quais me foram dados por Deus como um presente. Minha educação formal começa em Escolas Estaduais de Guarulhos, São Paulo e se aprimora através do Instituto Dom Bosco (sétima e oitava séries, de antigamente); Espcex (Ensimo Médio Militar), Instituto Mackenzie (graduação em Direito, mas por apenas três anos); USP (graduação completa em Publicidade e Propaganda); Unesa (graduação completa em Contabilidade); ESUDA (MBA em Planejamento Tributário), Estácio (MBA em Desenvolvimento Sustentável) e, atualmente, Unifg (em um retorno ao Curso de Direito, a fim de fechar um ciclo de conhecimentos). Fui servidor público concursado por 15 anos e ocupei cargos de Chefia e Diretoria. Sai do serviço público por opção e criei pequenas empresas a partir do zero, com sucessos e insucessos. Minha formação e experiências profissionais variadas me proporcionaram uma visão holística dos processos das organizações público e privadas.
Sou capaz de transitar em qualquer ambiente organizacional com segurança e gerir situações de crise com altas taxas de sucesso. Em qualquer trabalho por mim desenvolvido, coloco em primeiro lugar as pessoas, pois creio que pessoas satisfeitas com seu local de trabalho têm uma vida mais completa, sendo altamente produtivas, criativas e responsáveis. Quando obtém a sensação de "pertencimento" real a uma organização cuja finalidade seja maior que apenas a obtenção de lucro, mas a criação de um mundo melhor para todos nós, vemos os reflexcos postivos de tais políticas dentro e fora das organizações. São valores que transbordam para as famílias e para as comunidades.
Eu quero salvar o mundo, ou pelo menos torná-lo um lugar melhor.